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Brasil convida pesquisadores para construir o primeiro Manifesto Quântico Nacional

Atualizado: há 2 dias

Iniciativa do Instituto Foton busca organizar uma agenda nacional para tecnologias quânticas, inovação e segurança da informação


Representação de tecnologias quânticas no Brasil com mapa digital e computador quântico futurista
Imagem ilustrativa gerada por IA

O Brasil está construindo seu primeiro Manifesto Quântico Nacional, um documento que deverá orientar políticas públicas, programas de pesquisa e iniciativas de inovação no campo das tecnologias quânticas nas próximas duas décadas. Em um cenário em que países e blocos econômicos já estruturam estratégias nacionais para disputar liderança científica, industrial e tecnológica, a iniciativa também busca ampliar o debate sobre soberania tecnológica, segurança da informação e capacidade nacional de desenvolvimento em uma área considerada estratégica.


Para isso, o Instituto Foton convida pesquisadores, estudantes, profissionais da indústria e gestores públicos de todo o país a participar de uma consulta pública aberta, em curso entre março e junho de 2026.


A proposta parte do entendimento de que as tecnologias quânticas deixaram de ser apenas um tema de pesquisa de fronteira e passaram a ocupar espaço crescente nas agendas internacionais de inovação, infraestrutura e proteção de dados.


Para dar uma ideia, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) informa que, até novembro de 2025, 18 países da organização e a União Europeia já haviam adotado estratégias nacionais de tecnologias quânticas, em um movimento marcado por objetivos econômicos e de segurança nacional que já conta com cerca de U$ 55,7 bilhões de investimentos públicos anunciados.


“O Manifesto Quântico Nacional é um convite para que o Brasil organize de forma estratégica seu desenvolvimento em tecnologias quânticas, conectando ciência, indústria, governo e sociedade em uma agenda comum de longo prazo”, explica a doutora em Economia e vice-presidente do Instituto Foton, Rosângela Viegas Maraschin, responsável pela coordenação da iniciativa.


A primeira versão do documento será apresentada no dia 12 de junho de 2026, durante o MOBI Festival, em Sorocaba (SP), cidade onde o movimento teve início, com a elaboração da Carta da Região Sudeste.


Como funciona


O manifesto está sendo elaborado em duas etapas. A primeira, em andamento, consiste na mobilização e escuta do ecossistema nacional de ciência, tecnologia e inovação por meio das chamadas Cartas Macrorregionais, que são documentos construídos a partir de questionários participativos, encontros técnicos, visitas institucionais e eventos regionais.


Entre março e junho de 2026, também será realizada uma campanha digital de mobilização, envolvendo imprensa e redes sociais, para ampliar a participação no questionário do Manifesto Quântico Nacional. Ao fim dessa fase, os dados serão tabulados e analisados para estruturar a primeira versão do documento.


A segunda etapa, prevista entre junho de 2026 e junho de 2027, será dedicada à validação institucional do texto junto a entidades nacionais representativas da ciência, do setor produtivo e do poder público, com a formalização do documento final prevista para 2027.


“O diferencial do Manifesto Quântico Nacional é que ele nasce da escuta do ecossistema brasileiro, formado por pesquisadores, empresas, instituições e sociedade, para construir uma visão estratégica compartilhada para o futuro”, afirma Rosângela.


A iniciativa é conduzida pelo Instituto Foton em parceria com a Liga Nacional de Computação Quântica Feynman (LACQ Feynman) e representantes da chamada quádrupla hélice da inovação, modelo que integra academia, setor produtivo, governo e sociedade civil.


O documento organiza o debate nacional em torno de 11 Objetivos de Desenvolvimento Quântico (ODQs), que cobrem temas como financiamento de pesquisa, formação de talentos, desenvolvimento industrial, criação de infraestrutura científica e fortalecimento da segurança digital.


O horizonte de planejamento estabelecido é o ano de 2045, prazo que, segundo a coordenadora, considera o tempo necessário para formação de especialistas, amadurecimento científico e maturação industrial no setor.


Por que agora

Para Rosângela, a urgência da iniciativa está diretamente ligada ao ritmo das transformações tecnológicas em curso no mundo.


“As tecnologias quânticas estão redefinindo a próxima geração da economia digital e da segurança da informação. O Brasil tem capacidade científica para participar desse movimento e o Manifesto busca estruturar esse caminho”, enfatiza.


O momento internacional ajuda a explicar esse senso de urgência. As tecnologias quânticas passaram a integrar estratégias nacionais em países como Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Japão e China, além da União Europeia, em uma corrida que combina pesquisa de ponta, formação de talentos, desenvolvimento industrial, infraestrutura científica e segurança.


Esse contexto também deixou de ser apenas prospectivo. Nos Estados Unidos, o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST, na sigla em inglês) já publicou os três primeiros padrões finalizados de criptografia pós-quântica e orienta organizações a iniciarem desde agora a transição para novos padrões de proteção de dados, antes que futuros computadores quânticos coloquem em risco os sistemas de criptografia usados atualmente.


No Brasil, o próprio Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação reconhece que o país vive um momento decisivo em meio a disputas geopolíticas por domínio tecnológico e inclui as tecnologias quânticas entre as áreas que exigem esforços intensivos na Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.


Além da base científica já existente em universidades e centros de pesquisa, a agenda começa a ganhar novos marcos institucionais. Em junho de 2025, o MCTI apoiou a proposta de criação de um centro de excelência em computação quântica em João Pessoa, na Paraíba, com investimento inicial previsto de R$ 75 milhões, transferência de conhecimento e formação de pessoal especializado.


O Ministério entende que iniciativas desse tipo podem fortalecer a soberania tecnológica do país e ampliar a presença brasileira em uma área cada vez mais associada à competitividade internacional.


Por isso, segundo Rosângela, o avanço do debate reforça o entendimento de que segurança da informação, proteção de infraestruturas críticas e soberania tecnológica passaram a fazer parte do núcleo estratégico das políticas de inovação.


Esse entendimento também está presente na atuação do Instituto Foton, cujo ecossistema reúne empresas que desenvolvem soluções quânticas voltadas à segurança da informação em parceria com pesquisadores e acadêmicos ligados à mesma rede.


Como participar da construção


O Manifesto Quântico Nacional foi inspirado no Quantum Manifesto europeu, que contribuiu para estruturar o programa de tecnologias quânticas da União Europeia, e busca adaptar princípios semelhantes à realidade nacional, com ênfase na participação regional.


“A urgência do manifesto está em preparar pessoas, empresas e instituições para uma nova etapa da transformação tecnológica, em que competências como pensamento crítico, criatividade e literacia digital serão cada vez mais essenciais”, reforça Rosângela.


A consulta pública é aberta e gratuita. Pesquisadores e demais interessados podem contribuir respondendo ao questionário do Manifesto Quântico Nacional clicando neste link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeYr2fuajfrVqG4fnEH4Gitja26eao_7hf7ybqRWfB98pgNgg/viewform


Informações para a imprensa - Marco Stamm – 51 99392-5730

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