Criptografia Pós-Quantica: Cientista do Foton cria ferramenta para proteger dados bancários e médicos de um ataque que já está em curso
- Marco Stamm

- há 2 dias
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Libzupt permite adaptação à criptografia pós-quântica e antecipa resposta a um risco já explorado por governos e grandes empresas

Imagine que alguém fotografa a fechadura da sua casa hoje, sem arrombar nada, e guarda a foto esperando o dia em que existir uma chave capaz de abrir qualquer fechadura. Quando esse dia chegar, sua casa estará invadida antes que você perceba.
É exatamente isso que agências de inteligência de vários países estão fazendo com dados digitais. Elas coletam hoje informações criptografadas, como transações bancárias, prontuários médicos, mensagens privadas, e as guardam à espera de computadores quânticos, que terão capacidade de quebrar os sistemas de segurança que protegem esses dados. O ataque já tem nome entre especialistas: harvest-now–decrypt-later, ou "coleta agora, decifra depois".
Para enfrentar essa ameaça e que Alessandro de Oliveira Faria, um cientista brasileiro e membro fundador do Instituto Foton (um instituto nacional dedicado ao desenvolvimento de tecnologias quânticas), lançou uma ferramenta chamada libzupt. Ela permite que empresas e desenvolvedores atualizem seus sistemas de segurança digital para resistir a computadores quânticos, sem precisar abandonar tudo que já usam hoje.
"A transição para algoritmos pós-quânticos não pode esperar. Quem tem dados sensíveis, seja um hospital, um banco ou uma empresa, precisa começar a se proteger agora", alerta Alessandro.
A solução já foi adotada por gigantes como Google, Apple e Cloudflare nas suas próprias plataformas. A libzupt traz a mesma tecnologia para o alcance de qualquer organização brasileira.
O governo norte americano já fixou prazos: sistemas federais nos Estados Unidos precisam adotar os novos padrões de segurança até 2027. No Brasil o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) publicou a Instrução Normativa 35/2026 estabelecendo um marco histórico ao introduzir algoritmos de criptografia pós-quântica como o ML-KEM (baseado no padrão emergente do NIST).
“Mais do que uma exigência regulatória, esse documento inaugura uma nova era de resiliência criptográfica, posicionando o Brasil entre os países que já iniciam a transição para a segurança pós-quântica”, reforça Alessandro.
No Brasil, empresas que quiserem se antecipar podem contar com os membros do Instituto Foton para implementar a ferramenta disponível gratuitamente para desenvolvedores e acompanhada de consultoria especializada para quem precisar de suporte na migração.
A libzupt está disponível em: github.com/cabelo/libzupt
Informações para a imprensa - Marco Stamm – 51 99392-5730


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